quinta-feira, 6 de outubro de 2011

STEVE JOBS - Para Refletir um Pouco


Eu não sou nem um pouco conhecedor de técnicas de administração, pensamentos corporativos, dinâmicas empresariais etc (não sei nem se esses termos aí existem no meio empresarial, no marketing, mas isso dá a ideia do que quero dizer).

Também não sou usuário dos produtos da APPLE. Não tenho IPod, IPad, Macbook (slap! chicotadas do inferno serão aplicadas contra mim por usuários tarados que gritam o poder redentor dos produtos da Maça).

Mas eu reconheço e admiro esse cara com ar de coroa jovem, barba aparada e óculos de nerd modernoso:

A morte do Steve Jobs, nesta Quarta-Feira 05.10, vítima de câncer de pâncreas, me levou a pensar em algumas atitudes desse ícone dos tempos modernos:

A imagem que eu tenho do Jobs e da Apple é a de um visionário e de uma companhia que viveram à sombra dos outros gigantes Microsoft/Windows/Bill Gates; que foram tripudiados durante  vários tempos e em vários embates mercadológicos; que lutaram contra tudo e contra todos acreditando em um projeto que de alguma forma queria ser diferenciado (não me pergunte "no que" estaria esse diferenciado, eu não sei; mas é a visão que tenho).

E aí, nadando contra a maré, criador e empresa conseguiram colocar a cabeça para fora da tempestade - ou para dentro... - e foram ouvidos. E deu no que deu, não preciso explicar mais muita coisa.

Mas isso é pouco: a morte de Jobs me leva a enxergar, apenas agora, o arranjo de mestre (no sentido mais digno da expressão) que esse cara teve ao admitir que não poderia permanecer à frente da sua criação; a sua saída estratégica da frente dos negócios - a fim de dedicar-se a si mesmo, a partir de então, e a fim de manter sólida a engrenagem fantástica que ele havia criado mas não poderia continuar conduzindo.

Sequer poderia continuar representando - já que sua condição de saúde poderia ser diretamente atrelada à instituição APPLE - e arruinar parte do negócio (se não ele todo).

É o suficiente pra se começar a pensar...

Obrigado, Jobs. Não pela Apple. Não pelos I_Tudo. Obrigado pela lição de vida. Do começo ao fim dela.

*Se os conhecedores mais profundos da empresa e do criador quiserem adicionar elementos, contribuir com a historia e a reflexão - ou mesmo apontar algum equívoco meu sobre a trajetória sucintamente mencionada no texto, fique à vontade.


** Acabei de encontrar este video na VEJA.com. E eu tenho ainda mais certeza do que acabei de escrever


quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Entrevista para o Encontro e Café - Taynara Barreto

Fui entrevistado. Não no meio da rua, não correndo, não para falar de política em época de campanha.

Fui entrevistado no conforto do meu lar, para falar de FOTOGRAFIA: "Recorte do Tempo - André Fachetti"

Quem me deu a honra foi a @taynarabarreto, do delicioso Encontro e Cafe.

Com a permissão dela, o texto daquele espaço aconchegante invade o Visão Geral.

Salve, Taynara! Salve, sorrisos:



Recorte do tempo. André Fachetti


Quando uma pessoa se propõe a fotografar, ela quer registrar aquilo que traduz um momento, um detalhe que seja a representação de um sentimento ou fazer correr na imagem a vida e uma história. Esse é o meu pensamento sobre a fotografia.
Dizem que a fotografia é um recorte do tempo. Isso é maluco, mas concordo com a premissa. Por mais que você tente recriar, reviver aquele momento, ele não vai existir nunca mais, está preso ali, original, simples e único.
Ao ver o trabalho de André Fachetti, você percebe que os recortes são feitos com cuidado, perspicácia e extrema singularidade.




"- Bem...vejamos por onde começar... ficha técnica, serve? 1, 2, 3...testando, som...

André Fachetti Lustosa, 33 anos, um cachoeirense que gosta dessa terra sabe-se lá
porque; filho da D.Regina e do Seu Magno, casado e realizado com a Nívia.

O que eu sou?

Tenho aprendido a duras penas que eu não "sou" advogado e professor
universitário. Isso eu "estou", com muito orgulho - e com paixão.

Quanto a ser...ser é diferente. "Ser" é muito mais... Então, pra dizer o que eu "sou"
ainda vai demorar um tempo, pra eu mesmo descobrir por inteiro. Por hora, posso
dizer que sou o cara que sorri com a boca, com os olhos e com o coração.

E a fotografia...a fotografia tem me ajudado a sorrir e a fazer os outros sorrirem.

Tenho iniciado a venda de minhas imagens no que se convencionou chamar de
padrão Fotografia FineArt, ou seja: imagens de alto desempenho estético, para
decoração, registros em museus, salões, bibliotecas, exposições, galerias, com
impressão em jato de tinta adequadas para ressaltar as qualidades da imagem,
buscando papéis próprios e de qualidade máxima (preferencialmente os "fibras de
algodão", importados) e montagem visando à maior durabilidade (qualidade museu,
com materiais de PH neutro).

E aí, o que temos no cardápio desse Café?

Encontro e Café: O que é a fotografia e fotografar para você?

Eu sempre fui apaixonado por ler e escrever. Aprendi a ler as histórias dos outros
e comecei a contar as minhas próprias histórias nas redações, nos poemas, nas
crônicas, nas conversas fartas. Minhas atuais profissões – advogado e professor
universitário – são o exercício da arte de narrar, de buscar as personagens e seus
detalhes, de mostrar um outro mundo, ou o outro lado de um mesmo mundo para
as pessoas... E aí, mesclar sentimento, experiências, realidades particulares ou
coletivas com a técnica própria para que isso alcance o efeito necessário.

É nisso que a fotografia, para mim, se encaixa: eu estou aprendendo a mudar de
formato na hora de ler histórias e na hora de contar histórias. A fotografia tem sido
minha outra forma de expressão, minha nova forma de narrativa.

No fim, não se trata "apenas" de conseguir uma imagem bela. Se eu conseguir isso,
já é ótimo, mas o climax é conseguir lhe contar uma história, seja minha, seja de
outras pessoas, seja uma "história da História"; algumas vezes com mais alegria,
outras com mais crueza da realidade...

O ato de fotografar, de fazer o "clique", em si, é um instante que reúne o prazer,
a realização, a percepção de que a história está ocorrendo e eu tenho que saber
apreendê-la – mas traz todo o repertório de técnica sem o qual simplesmente não se
consegue transmitir uma mensagem.

Porque fotografar, para quem gosta mesmo, não é só apertar o botãozinho do
obturador.

E claro que tudo isso é fruto das minhas experiências anteriores, da minha criação,
da minha história individual. Outros fotógrafos, profissionais ou não, terão sua
maneira de caracterizar a fotografia e o ato fotográfico. Para mim, são narrativas,
num formato de luz.


EeC: Quando você está fotografando, você pensa no que o observador
vai sentir ao ver aquele momento registrado por você?

Delicado isso, hein? A linha entre fazer para transmitir uma mensagem ao outro e
fazer simplesmente para "arrancar elogios" ou "agradar" o outro é tênue. Essa última
não é minha intenção.

Eu diria que não faço para "agradar" o observador, não faço simplesmente
para tornar as coisas "fáceis" para ele (às vezes, temos mesmo que fazer para
incomodar). Mas é claro que eu tento transmitir a mensagem para alguém, e assim,
tenho que aprender a olhar não só com os meus olhos, mas também com os olhos
de quem vai me "ler".

Como isso vai ser visto, sentido, não dá para imaginar. Eu mesmo adoro certas
imagens que, para minha própria esposa, que às vezes estava ao meu lado na
hora da foto, não dizem muito; outras fotos eu acho boas e só, enquanto para meus
amigos, para outros fotógrafos, para compradores das minhas imagens, são grandes
fotos.

É interessante essa pergunta, porque me leva a lembrar de várias lições que já tive
sobre a arte da fotografia, e que se encaixam bem nesse momento:

O fotógrafo não apenas "retrata a realidade", ou "eterniza um momento fugaz".
Quando fotografa, o fotógrafo faz um corte na cena – o que você vê no quadro
clicado é parte de um cenário muito maior, um contexto onde o fotógrafo foi
trabalhando por inclusão (permitindo enquadrar certos elementos) e por exclusão
(de modo que certas coisas fiquem fora da imagem final).



É nesse espacinho que ele vai construir a sua narrativa – que pode retratar a
realidade ou até mesmo falseá-la, transmudá-la. Cabe a ele saber colocar mais
ou menos elementos para atingir seus objetivos. Igual a um texto, com mais ou
menos palavras – mas que vai bater no coração do outro segundo as experiências
particulares de cada um.

Já parou para pensar quantas histórias a foto "Menino com Parelha de Bois"* conta?
Já pensou quantas leituras podem surgir? Já pensou como essa "história" interaje
com as suas experiências? E nas experiências do outro, como isso funciona?

* "Menino com Parelha de Bois" foi finalista do Concurso Internacional de Fotografia Documental "Los Trabajos y Los Dias", em Medellin, Colombia-2011. A foto é de 2010, realizada em Venda Nova do Imigrante-ES.

EeC: Ao ver suas fotografias, percebo que elas estão carregadas de detalhes
muito profundos e ricos, como o olhar do homem na fotografia “Folia de um
Rei”, ou o menino com o carro de boi ("Menino com Parelha de Bois"). Quando
fotografa, como você vê que deve registrar esses detalhes?

Não vou mentir: às vezes, aparece na cena uma aura que a gente não imaginava,
uma beleza que a gente não viu no visor na hora da foto.



Mas a fotografia é consciência; portanto, sim: quando aparece um sorriso altamente
simbólico, eu desejei captá-lo. Quando o olhar do menino atinge o meu espectador,
eu desejei aquele olhar; com as minhas experiências, com a minha leitura particular,
mas eu o desejei. Assim também com as paisagens, com as formas e linhas
abstratas... Os "detalhes", então, podem ser o ponto central da fotografia ou um
elemento que coopera para o todo, depende da cena, do ambiente, até do meu
estado de espírito.



Um dos monstros sagrados da fotografia mundial, o francês Henry Cartier-
Bresson (1908-2004 - http://www.henricartierbresson.org), desenvolvedor do
fotojornalismo, cunhou a expressão "instante decisivo" ou "momento decisivo". No
começo, eu achava que isso era um momento mágico, como se a Lua, Terra, Sol e
Marte entrassem em conjunção astral e ...tchan! A foto mágica surgisse. Tolice:

Com o tempo – praticando e estudando – o próprio termo de Bresson foi se
explicando. Na verdade, agora vejo (e assim também muitos estudiosos descrevem)
que esse momento especial é "pré"reconhecido pelo fotógrafo, com o passar do
tempo, a prática, a experiência: pode ser uma questão de segundos, ou de horas,
mas o bom fotógrafo sabe que a cena vai ser montada na frente dele, sabe que a
criança vai correr, o ancião vai sorrir, a fumaça vai subir na hora e no local certo – e
a gente precisa esperar, antever, pois esse é o "instante decisivo", que vai capturar o
detalhe que importa na narrativa visual.

EeC: O que significa registrar o cotidiano de um determinado lugar para você?

Primeiro, a insegurança, o medo, o frio na barriga de ser capaz ou não de encontrar
a essência – ou "uma" essência. Depois, um sentimento de gratidão a Deus, por
me permitir a experiência única de fotografar; gratidão às pessoas que construíram
o local, construíram a magia do local; às pessoas que me permitem encará-las por
detrás de uma objetiva, entrando em seus segredos... alguns povos ainda acreditam
que a câmera fotográfica lhes toma a alma, certo?



Não quero aprisionar nenhuma alma, juro. Mas se eu puder levá-las para passear lá
em casa...

EeC: No Brasil, é comum falar-se mas incomum de se ver os famosos
fotoclubes. Como é para você participar de um? O que busca registrar nos
encontros e como vê o trabalho do fotoclube que participa, no Estado?

"Comum e incomum" foi boa... eu diria que fotoclubes e outros grupos que reúnem
fotógrafos pelo prazer de fotografar são igual OVNI´s: todo mundo já viu um, menos
a gente mesmo.  Eu participo do Grupo Cliques – Grupo de Fotografia Capixaba
(www.grupocliques.com.br) que tem "sede" em Vitória (a maior parte dos integrantes
é de lá), mas conta com pessoas de quase todo o Estado, e se propõem a, uma
vez por mês, visitar uma cidade do Espírito Santo para conhecer e registrar, além
da partilha diária que fazemos sobre fotografia por email (lista de discussão). É
espetacular ver colegas com celular, câmeras compactas, reflex profissionais e
toda a sorte de equipamentos – incluindo as famosas gambiarras – fotografando. Já
fomos matéria do Programa Em Movimento da TV Gazeta.

A tendência é que os grupos de fotógrafos ganhem mais visibilidade a cada dia.
A facilidade da realização da fotografia hoje (pegue o seu celular e ele tem uma
camera, sem dúvida nenhuma), com a integração das pessoas de interesses
semelhantes pela internet...tudo isso vai popularizar esses clubes, grupos.

Há pouco tempo, a imagem era de velhinhos que se reuniam com centenas de
negativos e câmeras ultrapassadas dentro de uma sala sombria. Não! Nunca foi isso
e, hoje, a imagem é ainda mais solar.

Por isso, não se pode esquecer: fotografia se faz saindo do sofá, levantando detrás
do computador e colocando o pé na estrada. Grupos de internet, orkut, FB, Twitter,
podem ser o começo. Mas fotografia é sol na cabeça, pé no chão, diálogo, amizade,
partilha (isso é o ponto alto dos fotoclubes), acertos e erros, fotos boas e muitas,
muitas fotos ruins pra aprender.

EeC: Quando é o momento certo para dar o clique?

E existe um? Do ponto de vista do "dedo nervoso" (a gente chama assim o povo
que dispara igual a uma metralhadora...), não se pode perder nem uma virada de
cabeça, nem uma mão no ar, nenhum voo, nenhum detalhe. Para outros mais
céticos, cada disparo tem que gerar uma foto perfeita, na fotometria, no foco, na
disposição dos elementos...


Não sou de nenhum desses dois grupos extremistas: a foto se constrói, assim como
se constrói uma redação, ou essas perguntas que vocês está me fazendo... nada
impede que depois de uma frase, você pense e faça melhor. Nada impede que
depois de um clique na horizontal você perceba que a imagem pede um clique na
vertical. Com o tempo, isso fica mais instintivo.

EeC: Quando você está em viagem, os registros são muito ricos, como as
luzes, detalhes muitas vezes que passam despercebidos quando são vistos
ao vivo. Você se doa para achar a expressão máxima do lugar, e conseguimos
sentir o seu encantamento por estar ali. Como é isto para você?

Primeiro, obrigado pela leitura que você fez. Uma grande alegria é exatamente ouvir
as pessoas dizerem: "- Mas eu nunca vi isso ali!", ou "- Isso que é simples ficou lindo
na sua imagem".

E uma das coisas que eu digo é, simplesmente: "-Obrigado por me permitir enxergar
certas coisas por você".



No fim, tudo se resume em contar histórias, viu? Retratar um lugar – e "o lugar" não
interessa: pode ser a margem do Rio Itapemirim, pode ser Paris às margens do Rio
Sena – é, obrigatoriamente, fazer parte dessa história.

Nos lugares, sejam viagens, andanças, shows, reuniões sociais, mesmo dentro
do estúdio, você tem que querer fazer parte daquilo. É engraçado, porque eu, que
estou apenas no começo, ainda consigo sentir e perceber o impacto dos primeiros
minutos de reconhecimento do espaço, das pessoas, do clima, para só então me sentir à vontade para os registros. Às vezes, são horas. Quando estive em Paris, no
começo de 2011, achei que aquele lugar fosse me engolir! Então, demorei mais pra
me sentir integrado. Em breve vou postar um texto que chamei de "Paris: a cidade
que nos engole".

Com o tempo, os mais experientes já fazem a leitura imediata das circunstâncias.
Mas para mim, sempre será uma experiência de absoluta imersão.

EeC: Como você se sente quando vê seu trabalho sendo reconhecido de
alguma forma?

Os mais ácidos costumam brincar com o ego dos fotógrafos. Chega a ser maior do
que o dos advogados!

Brincadeira à parte, ser reconhecido não é receber elogios, parabéns e coisas que
os valha. Não esnobo um elogio, óbvio. Faz bem, é gostoso e importante.

Mas "ser reconhecido" é o melhor: ver que alguém olhou grande parte do seu
material, percebeu a alma do fotógrafo ali, encontrou a si mesmo nos meus olhares.

Comprar minhas imagens é parte de um movimento, uma consequência. Eu quero
que as minhas imagens estejam nas casas, nos museus, nos salões, nas revistas,
internet, mas eu quero que elas representem a minha forma de expressão. É um
grito que eu quero que seja reverberado, e não se trata de prender minhas imagens
em molduras bonitas, impressas em papéis que vão durar 150 anos..

Eu quero ( todos nós queremos) poder ser ouvido. Escrevendo com a luz.

Ser reconhecido é poder responder a uma entrevista assim, tranquilo e com sorriso
no canto da boca, porque as minhas histórias visuais mexeram com as histórias da
Taynara Barreto. E espero que mexam com os leitores do Encontro e Café.

Valeu!

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Bento XVI: Discurso aos Professores Universitários


Há um tempinho sem atualizar, volto feliz por trazer a mensagem do Papa Bento XVI destinada aos jovens professores universitários, durante a Jornada Mundial da Juventude 2011 que acontece na Espanha.

Não é à toa que eu chego até essa mensagem, justamente hoje. Ele sabe porque.

Desnecessário falar da profundidade e da precisão do texto papal. Sempre exatos e rigorosos.

Enfim: leiam. É o que melhor posso sugerir neste momento. Independente de qualquer posicionamento religioso.

 Extraído, na íntegra, do Portal Canção Nova. Os grifos no curso do texto são meus.


Sexta-feira, 19 de agosto de 2011, 08h12

Discurso do Papa aos jovens professores universitários na JMJ 2011


Boletim da Santa Sé


Senhor Cardeal Arcebispo de Madrid,
Queridos Irmãos no Episcopado,
Queridos Padres Agostinianos,
Queridos professores e Professoras,
Distintas Autoridades,
Meus amigos!

Com regozijo esperava este encontro convosco, jovens professores das universidades espanholas, que prestais uma colaboração esplêndida para a difusão da verdade em circunstâncias nem sempre fáceis. Saúdo-vos cordialmente e agradeço as amáveis palavras de boas-vindas e também a música executada que ressoou maravilhosamente neste mosteiro de grande beleza artística, testemunho eloquente durante séculos de uma vida de oração e estudo. Neste lugar emblemático, razão e fé fundiram-se harmoniosamente na pedra austera para modelar um dos monumentos mais renomados de Espanha.

Saúdo também com particular afecto quantos participaram nestes dias no Congresso Mundial das Universidades Católicas, em Ávila, sob o lema: «Identidade e missão da Universidade Católica».

Encontrar-me aqui no vosso meio faz-me recordar os meus primeiros passos como professor na Universidade de Bonn. Quando ainda se sentiam as feridas da guerra e eram muitas as carências materiais, a tudo supria o encanto de uma actividade apaixonante, o trato com colegas das diversas disciplinas e o desejo de dar resposta às inquietações últimas e fundamentais dos alunos. Esta universitas, que então vivi, de professores e estudantes que procuram, juntos, a verdade em todos os saberes ou – como diria Afonso X, o Sábio – esse «ajuntamento de mestres e escolares com vontade e capacidade para aprender os saberes» (Sete Partidas, partida II, título XXXI), clarifica o sentido e mesmo a definição da Universidade.

No lema da presente Jornada Mundial da Juventude - «Enraizados e edificados em Cristo, firmes na fé» (cf. Col 2, 7) -, podeis também encontrar luz para compreender melhor o vosso ser e ocupação. Neste sentido, como escrevi aos jovens na Mensagem preparatória para estes dias, os termos «enraizados, edificados e firmes» falam de alicerces seguros para a vida (cf. n. 2).

Mas onde poderão os jovens encontrar estes pontos de referência numa sociedade vacilante e instável? Às vezes pensa-se que a missão dum professor universitário seja hoje, exclusivamente, a de formar profissionais competentes e eficientes que satisfaçam as exigências laborais de cada período concreto. Diz-se também que a única coisa que se deve privilegiar, na presente conjuntura, é a capacitação meramente técnica. Sem dúvida, prospera na actualidade esta visão utilitarista da educação mesmo universitária, difundida especialmente a partir de âmbitos extra-universitários. Contudo vós que vivestes como eu a Universidade e que a viveis agora como docentes, sentis certamente o anseio de algo mais elevado que corresponda a todas as dimensões que constituem o homem. Como se sabe, quando a mera utilidade e o pragmatismo imediato se erigem como critério principal, os danos podem ser dramáticos: desde os abusos duma ciência que não reconhece limites para além de si mesma, até ao totalitarismo político que se reanima facilmente quando é eliminada toda a referência superior ao mero cálculo de poder. Ao invés, a genuína ideia de universidade é que nos preserva precisamente desta visão reducionista e distorcida do humano.

Com efeito, a universidade foi, e deve continuar sendo, a casa onde se busca a verdade própria da pessoa humana. Por isso, não é uma casualidade que tenha sido precisamente a Igreja quem promoveu a instituição universitária; é que a fé cristã nos fala de Cristo como o Logos por Quem tudo foi feito (cf. Jo 1, 3) e do ser humano criado à imagem e semelhança de Deus. Esta boa nova divisa uma racionalidade em toda a criação e contempla o homem como uma criatura que compartilha e pode chegar a reconhecer esta racionalidade. Deste modo, a universidade encarna um ideal que não deve ser desvirtuado por ideologias fechadas ao diálogo racional, nem por servilismos a um lógica utilitarista de simples mercado, que olha para o homem como mero consumidor.

Aqui está a vossa importante e vital missão. Sois vós que tendes a honra e a responsabilidade de transmitir este ideal universitário: um ideal que recebestes dos vossos mais velhos, muitos deles humildes seguidores do Evangelho e que, como tais, se converteram em gigantes do espírito. Devemos sentir-nos seus continuadores, numa história muito diferente da deles mas cujas questões essenciais do ser humano continuam a exigir a nossa atenção convidando-nos a ir mais longe. Sentimo-nos unidos com eles, nesta cadeia de homens e mulheres que se devotaram a propor e valorizar a fé perante a inteligência dos homens. E, para o fazer, não basta ensiná-lo, é preciso vivê-lo, encarná-lo, à semelhança do Logos que também encarnou para colocar a sua morada entre nós. Neste sentido, os jovens precisam de mestres autênticos: pessoas abertas à verdade total nos diversos ramos do saber, capazes de escutar e viver dentro de si mesmos este diálogo interdisciplinar; pessoas convencidas sobretudo da capacidade humana de avançar a caminho da verdade. A juventude é tempo privilegiado para a busca e o encontro com a verdade. Como já disse Platão: «Busca a verdade enquanto és jovem, porque, se o não fizeres, depois escapar-te-á das mãos» (Parménides, 135d). Esta sublime aspiração é o que de mais valioso podeis transmitir, pessoal e vitalmente, aos vossos estudantes, e não simplesmente umas técnicas instrumentais e anónimas nem uns dados frios e utilizáveis apenas funcionalmente.

Por isso, encarecidamente vos exorto a não perderdes jamais tal sensibilidade e encanto pela verdade, a não esquecerdes que o ensino não é uma simples transmissão de conteúdos, mas uma formação de jovens a quem deveis compreender e amar, em quem deveis suscitar aquela sede de verdade que possuem no mais fundo de si mesmos e aquele anseio de superação. Sede para eles estímulo e fortaleza.

Para isso, é preciso ter em conta, em primeiro lugar, que o caminho para a verdade completa empenha o ser humano na sua integralidade: é um caminho da inteligência e do amor, da razão e da fé. Não podemos avançar no conhecimento de algo, se não nos mover o amor; nem tampouco amar uma coisa em que não vemos racionalidade; porque «não aparece a inteligência e depois o amor: há o amor rico de inteligência e a inteligência cheia de amor» (Caritas in veritate, 30). Se estão unidos a verdade e o bem, estão-no igualmente o conhecimento e o amor. Desta unidade deriva a coerência de vida e pensamento, a exemplaridade que se exige de todo o bom educador.

Em segundo lugar, havemos de considerar que a verdade em si mesma está para além do nosso alcance. Podemos procurá-la e aproximar-nos dela, mas não possuí-la totalmente; antes, é ela que nos possui a nós e estimula. Na actividade intelectual e docente, a humildade é também uma virtude indispensável, pois protege da vaidade que fecha o acesso à verdade. Não devemos atrair os estudantes para nós mesmos, mas encaminhá-los para essa verdade que todos procuramos. Nisto vos ajudará o Senhor, que vos propõe ser simples e eficazes como o sal, ou como a lâmpada que dá luz sem fazer ruído (cf. Mt 5, 13).

Tudo isto nos convida a voltar incessantemente o olhar para Cristo, em cujo rosto resplandece a Verdade que nos ilumina; mas que é também o Caminho que leva à plenitude sem fim, fazendo-Se caminhante connosco e sustentando-nos com o seu amor. Radicados n’Ele, sereis bons guias dos nossos jovens. Com esta esperança, coloco-vos sob o amparo da Virgem Maria, Trono da Sabedoria, para que Ele vos faça colaboradores do seu Filho com uma vida repleta de sentido para vós mesmos, e fecunda de frutos, tanto de conhecimento como de fé, para vossos alunos.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Para Meditar

Vale a citação quando algo é relevante e o autor alcançou com a escrita uma ideia com a qual você se identifica.

Roberto Pompeu de Toledo, Revista VEJA, ed.2221, 15.06.2011, p.174:

...Temer reúne no Palácio do Jaburu a corte de homens de cabelo pintados ou transplantados em que consiste a fina flor do PMDB. Presidencialmente, vai ao encontro da presidente Dilma como quem vai a uma conferência de cúpula, potência contra potência. Ao contrário de mansos aliados, como foram os vices José Alencar, para Lula, e Marco Maciel, para FHC, sua Excelência Reverendíssima lidera uma facção rival.
Semelhante situação decorre de um desentendimento grave, que queiram os céus não venha a se revelar fatal, quanto à natureza da coligação entre PT e PMDB. O PT entende que ao PMDB devem caber alguns ministérios em troca de votar com o Governo no Congresso. Já o PMDB se pretende sócio do poder, ao mesmo título que o PT. Nesse atrito, Dilma é criticada pelas virtudes - como a de resistir à ganância por cargos e verbas - e engambelada por eufemismos como "articulação política", apelido do balcão de negócios em que se desferirão as facadas. Haja estômago para digerir tanta gororoba. Para o da presidente, visivelmente está difícil. Nunca é bom ter alguém infeliz, não importa em que cargo. Pior se for na Presidência. Disfarce, presidente. Sorria. As condições são adversas, mas, se acharem que a senhora está satisfeita, muito à vontade e dona de si, avançarão com mais cuidado.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Coragem?!


Facilmente a irresponsabilidade e a
tolice se travestem de coragem.

É importante saber distinguir.

sábado, 18 de junho de 2011

ADELE


Eu parei de fazer várias coisas neste sábado para lançar uma única e humilde pergunta:

Onde eu estava neste universo que ainda
não tinha ouvido o nome da tal de A-D-E-L-E?

Por essas felicidades da vida, eu já tinha ouvido alguma coisa da menina - sem ligar o nome à pessoa. Ouvi como a gente ouve alguma musica legal e diz: "-Putz, simplesmente não vou NUNCA saber quem é".

Mas eu soube. Com dica da colega fotógrafa @cacadominiquini, eu fui lá.

E descobri essa inglesinha de - pasmém - 22 anos (nasceu em 1988 na cidade de Tottenham), que já ganhou 02 Grammy Awards e que, suprema humildade, esses dias contratou um professor de música para lhe ensinar trabalhar (DOMAR) a voz...

As músicas são muito boas. A moçoila que faz o estilo loirinha-com-voz-de-negrona-corpinho-plus-size-super-sexy-recatada é um show. E os clipes que eu acabei vendo por acaso são muito legais.

É claro que você vai lembrar alguma coisa da Amy Winehouse (outra que eu gosto um bocado) - drogas, escandalos e tatuagens afora . Portanto... são diferentes. Bem diferentes.

Veja o clipe e ouça a ótima "Rolling in the Deep". Em seguida, procure pela também ótima "Set Fire to the Rain".  (acho que a música Someone Like You foi trilha sonora da ´serie LOST. Acho.)

Depois me diz se eu estava certo ou não... Ou melhor: se ela está certa ou não.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Educação, professores... Uma lágrima

Prefiro deixar a honrosa e destemida professora Amanda Gurgel, do Rio Grande do Norte, falar tudo.

Como não sei desenhar, vou deixar um sutil e moderno sinal pra saberem o que sinto neste momento:

:,(


"- Vocês estão colocando sobre mim a responsabilidade
de refazer este país? Nestas condições?"

Salve, professora.

sábado, 14 de maio de 2011

Slideshow: Brasileiro de Parapente, Castelo-ES 2011

As fotografias e o relato você já viu no post ICAROS - Brasileiro de Parapente

Mas desde Abril eu estava procurando A musica para sonorizar um slideshow com aquelas imagens.

Música e fotografia fazem uma dupla bombástica pra mim: igual tomate seco e rúcula, quibe com coalhada, bife e batata frita, dia de chuva com filme em casa...

O resultado é esse aí a seguir.

Engraçado como lembrei dos parceiros fotográficos TYTO NEVES e RENATO ROCHA MIRANDA com o resultado final. Acho que é aquilo: fotografia e música, que os caras também curtem... Abraço pra vocês.

PS: a música é DISCOVERER, do R.E.M (2011 - "Collapse Into Now")


segunda-feira, 9 de maio de 2011

Workshop Newton Medeiros - Vitória, Maio.2011

WS Estudio Book e Moda: Newton Medeiros, Vitória Mai.2011
Fotografia: André Fachetti
Modelo: Giulia Savaris
Conhecimento é bom demais: poder acessar livros, revistas, videos, sites e, especialmente, poder ter contato direto com quem entende do riscado é uma sensação maravilhosa. Eu comecei a compreender isso verticalmente com o Direito.

E hoje experimento essa sensação também com a Fotografia.

Sábado passado estive na sede do Estudio Savaris, em Vitória, participando do Workshop Estudio Book e Moda, com o Newton Medeiros, de SP. O fotógrafo tem dois livros editados pela Ed.Europa (0102), escreve para a Fotografe Tecnica e Pratica e muita, muita moral pra me fazer me deslocar de Cachoeiro até a capital capixaba, saindo às 5:30 de casa e voltando só às 23:00!

Newton Medeiros & André Fachetti

Turma legal, local ótimo, instrutor excelente: com a experiência acumulada entre a publicidade e a fotografia de estúdio durante décadas, Newton Medeiros fez jus à sua fama. De fácil acesso, falando claro, sem esconder informação (e mostrando exigência técnica sobre os participantes, esperando atenção integral de cada um), mostrou os segredos iniciais da luz controlada dentro do estúdio, desde os ajustes básicos até o desenvolvimento de uma ideia fotográfica e a construção dos sets de luz para se obter o resultado desejado.

Conosco, estiveram as jovens modelos Elaine Santos e Giulia Savaris.

Ao Newton, à organizadora Savaris e a toda a turma, parabéns e obrigado!

(todas as fotos: André Fachetti - exceto "Newton e André", por Rodger Savaris. Todos os direitos reservados.)

Modelo: Elaine Santos
(estudos iniciais de luz e sombra)

Modelo Giulia Savaris